Cuiabá, 08 de Agosto de 2022

INSTITUIÇÃO FINANCEIRA TEM RESPONSABILIDADE POR FRAUDE BANCÁRIO REALIZADO POR TERCEIRO?

 

É responsabilidade da instituição financeira arcar com os prejuízos causados ao consumidor decorrente de fraude e inclusive realizado por terceiro, dependendo de cada caso concreto.

A súmula 479 do STJ, dispõe “as instituições financeiras tem responsabilidade objetiva por danos gerados por fortuito interno, relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros, no âmbito de operações bancárias”.

Através da tecnologia avançada, que facilita a vida do consumidor e gerou grandes mudanças na vida dos consumidores e inclusive em seu comportamento, que traz a praticidade e eficiência das relações econômicas, através de plataformas digitais, e-mail, whatsApp, site de instituições financeiras para emissão de boleto, ou negociações financeiras, também viabilizou o crescimento do número de fraudes contra os  consumidores.

Considerando que o consumidor é sempre vulnerável em sentindo técnico e não econômico, cabe a instituição financeira o ônus da prova, devendo provar a inexistência de defeito na prestação de serviço, ou comprovar que houve culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro, artigos 12, §3º e 14, §3º, ambos do Código de Direito do Consumidor.

A causa de exclusão de responsabilidade da instituição financeira está na culpa exclusiva do consumidor ou terceiro. Por conta disso, as instituições financeiras bancárias, em situações como abertura de conta corrente por falsários, saques de benefícios por terceiro que não seja o titular, clonagem de cartão de crédito, a realização de falsas compras com o cartão de crédito, roubo de cofre de segurança ou violação de sistema de computador por crackers, na maioria das vezes, passam a alegar exclusivamente a culpa exclusiva de terceiros, mas são considerados fortuito interno que não excluem o dever dos bancos de indenizar o consumidor.

As fraudes bancárias podem acontecer de várias formas, a exemplo, invasões de aplicativos bancários, que por sinal, comum na atualidade, através de vazamento de dados pessoais dos clientes e até mesmo por envio de mensagem em nome da instituição financeira e ligações usando até mesmo o mesmo telefone da instituição financeira.

É importante dizer que as instituições financeiras tem o dever de tomar todos os cuidados para que as informações sigilosas de seus clientes não sejam acessadas por terceiros, sob pena de serem responsabilizados pelos danos decorrentes da insegurança das operações financeiras.

Vale destacar que nos termos da súmula 28 do STF, “o estabelecimento bancário é responsável pelo pagamento de cheque falso, ressalvadas as hipóteses de culpa exclusiva ou concorrente do correntista”.

Em suma estelionatários em posse de dados pessoais dos consumidores, geram prejuízos aos consumidores, como dívidas de empréstimos bancários fraudulentos, cartão de crédito não contratado, cheque falso, operações não autorizadas em conta bancária, que gera descontos indevido em folha de pagamento ou conta bancária e até mesmo negativação do nome do consumidor nos bancos de dados de proteção ao crédito, serasa, spc e cartório de protesto.

Por se tratar de crime, o consumidor deve com urgência registrar um boletim de ocorrência junto a delegacia civil mais próxima e inclusive abrir um chamado na instituição financeira e inclusive no banco central, através do telefone 145 e pegar o protocolo das reclamações.

No mérito, após confirmada a ocorrência da fraude, com base em todas as provas apresentadas no processo, é direito do consumidor lesado: 1) a declaração de inexistência de contrato firmado; 2) a devolução de valores eventualmente cobrados indevidamente em dobro; 3) a retirada da inscrição do nome do consumidor dos órgãos de proteção ao crédito, serasa, spc e protesto, e ainda 4) a reparação por danos morais decorrentes da fraude; 5) a reparação por danos materiais em relação os prejuízos causados. Ex: pagamento dos honorários advocatícios ao advogado que o consumidor teve que contratar para acionar o Poder Judiciário e buscar seu direito.

É importante saber que em caso de empréstimo consignado realizado por fraude, o consumidor ao acionar o Poder Judiciário informando a não contratação, deverá fazer o depósito caução do valor desse empréstimo na integra no processo da ação de indenização, para demostrar a boa-fé do consumidor.

Em conclusão, a caso que pode o Poder Judiciário entender a inexistência de culpa da instituição financeira por falha no sistema de segurança bancário. Isso uma vez que o próprio correntista fornece os dados pessoais ao estelionatário, evidenciando a negligencia acerca do cuidado necessário com os dados pessoais.

Há ainda, magistrados que entende que houve falha sim na prestação de serviços por parte da instituição financeira.

Em conclusão, nas fraudes em que não há participação da vítima, o Poder Judiciário entende pela responsabilidade da instituição financeira e de outro lado também, entendem pela a falha na prestação de serviços prestados pelos bancos.

Diante da vulnerabilidade do consumidor, não se intimide, faça a denúncia, busque seus direitos e a reparação dos danos causados por informações vazadas pelas instituições financeiras, independentemente de serem praticadas por terceiros estelionatários, no âmbito de operações bancárias.

 

Dra. Angélica Anai Angulo, proprietária do Escritório Advocacia Três As, atuante na área de Direito Bancário há 17 anos, Expert Direito Bancário, Presidente da Comissão de Direito Bancário da ABA/MT, Membro da Comissão de Gestão e Estratégia e Liderança da ABA/MT, Membro da Comissão de Direito Bancário da OAB/MT e associada a Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Cuiabá - BPW.

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Mania dos cuiabanos…Gabriel Novis Neves

De Rufando Bombom

O cuiabano de “tchapa e cruz” tem o hábito de colocar nome em tudo que encontra e vê, geralmente rico em humor.

 

Quem não se lembra “da pedra canga”, recém-chegado à Cuiabá (rosto com cicatrizes de varíola)?

 

O governador do Estado acabara de inaugurar a Escola Senador Azeredo no Porto, com autoridades e povo.

 

Na saída da festa um transeunte perguntou ao amigo de onde tinha vindo.

O antigo cuiabano ainda se lembra com humor que o primeiro otorrino de Cuiabá era surdo

 

Este lhe respondeu: da inauguração da “Escola do Peixe Frito”.

 

O antigo cuiabano ainda se lembra com humor que o primeiro otorrino de Cuiabá era surdo (Dr. Alberto Novis).

 

O Tabelião de Registro de Imóveis era cego (Dr. Luís Philipe Pereira Leite).

 

E o Arcebispo era agiota (Dom Orlando Chaves).

 

A Academia de Letras era conhecida como “Casa dos Imortais”.

 

O cuiabano acrescentou: “Casa dos Imortais, Mortais”.

 

Moro em um espaçoso apartamento com quatro quartos.

 

Um quarto é onde durmo.

 

Os outros três têm nomes: “quarto do Pace” (amigo que em vida se hospedava lá), da “enfermeira” (que me acompanha) e do “Fábio” (fisioterapeuta, onde deixa o seu avental branco e material de exercícios).

 

Acho fantástico essa tradição, que deveria ser mantida como as demais.

 

Como é gostoso percorrer o centro histórico de Cuiabá, guardião dessa nossa tradição de dar “nomes próprios” aos becos, ruas, avenidas, travessas e morro!

 

Tenho certeza que poucos cuiabanos conhecem o “Parque” Antônio Pires de Campos (bandeirante paulista do século XVIII, que aqui adentrou à caça de índios para vender como escravos em São Paulo).

 

Mas, pelos apelidos conseguirão facilmente localizar o Morro da Luz ou da Prainha.

 

Até a Praça Alencastro, construída pelo meu bisavô engenheiro militar Vasconcelos recebeu o nome de Jardim (antigo ponto de encontro dos cuiabanos).

 

Os apelidos de pessoas não eram pejorativos e acompanhavam as famílias de forma carinhosa.

 

O Marechal Rondon, só chamava o índio branco de Tripé.

 

Saudades do João Galinha (barbeiro), João Banana (alfaiate), João Butu (meu primo), João Papa Vela (fundador do Diário de Cuiabá), Chico Jorge (o seu nome era Arthur), Nhô Matraca (comerciante e político), Totó Carijó (comerciante), Nhonhô Tamarineiro (fazendeiro e político), Hélio Goiaba (compositor), Lebrinha (empresário de água mineral), Jabuti de Gravata (meu professor), Pé de Chumbo (jogador de futebol), Fôrma de Pote (professor e político), Paizomé ( taxista), Hélio Carrapato (meu vizinho e filho do Batinga da rua do Campo), Chupapaia ( jogador de futebol e carnavalesco), e o Bugre do bar (meu pai).

 

Gabriel Novis Neves é médico em Cuiabá

A importância do Direito Bancário em tempo de crise econômica após o surgimento do Covid-19 e como ficarão as negociações nestes dias de pandemia?

A importância do Direito Bancário em tempo de crise econômica após o surgimento do Covid-19 e como ficarão as negociações nestes dias de pandemia?

O Brasil já estava passando por crise financeira bem antes da chegada da Pandemia. Sabemos que o auxílio emergencial oferecido para milhares de brasileiros não foi suficiente para ajudar nas necessidades básicas de famílias carentes e trabalhadores beneficiários do Cadastro Único, que ficaram impossibilitados em exercer suas atividades econômicas em virtude dos decretos aplicados nas cidades do Estado do Brasil.

Muitos brasileiros tiveram que mudar de profissão, reinventar, procurar novos meios para conseguir sobreviver nesse período que ainda estamos enfrentando, pois, são poucos os brasileiros que não possuem algum tipo de despesa mensal bancária, para pagar mensalmente como: empréstimo bancário, cartão de crédito, cheque especial, empréstimo consignado e financiamento de veículo.

Sem dúvida, os juros ofertados para esses tipos de créditos bancários são exorbitantes, que através da mora, chegam as vezes serem duplicados ou até mesmo triplicados. Com a crise do covid-19, milhares de brasileiros deixaram de pagar suas contas em dia, causando à famosa “bola de neve”. Com isso, as instituições financeiras depararam com inadimplência dos consumidores e ofereceram a prorrogação dessas dívidas, mas com juros abusivos, que apenas postergou o problema de milhares de consumidores que hoje se encontram inadimplentes com as instituições financeiras e sendo obrigados a pagarem o valor até 30%( trinta por cento) maior do que o valor anterior antes de efetuarem a prorrogação de suas dívidas, ou seja, o problema piorou.

Hoje deparamos com pessoas perdendo seus veículos que estão sendo apreendidos por falta de pagamento, imóveis sendo penhorados, contas bancárias, limite de cheque especial e empréstimos em aberto, penhora online bacenjud sendo realizada, consumidores respondendo a ação de execução de título executivo extrajudicial e ação de busca e apreensão, pois sabemos que os processos de execuções e penhora online, mesmo com à Pandemia, esta a todo o vapor.

No entanto, neste momento de Pandemia, o nome de muitos dos consumidores estão sendo negativados nos órgãos de proteção ao crédito de inadimplentes, SPC, Serasa e protesto, fazendo com que muitos dos consumidores, fiquem impedidos de conseguirem restabelecer financeiramente. Depararmos com os motoristas de aplicativos que não estão conseguindo com seu trabalho pagarem os financiamentos dos seus veículos, que compraram para trabalhar, tendo seus veículos apreendidos e sendo retirado a única fonte de renda familiar em virtude da crise do desemprego de milhares de brasileiros.

Infelizmente o problema está visível no nosso país, cada um dos brasileiros poderiam dizer o que afetou na sua vida financeira através do Covid-19 e lógico, sabemos que todo o problema tem solução. Precisamos entender que às vezes postergar pagamento de qualquer tipo de crédito bancário só irá trazer mais prejuízos, como juros sobre juros e aumento do valor da dívida. Devemos priorizar o que é mais importante e ter segurança nas negociações. Priorizar pagamento mensal de aluguel, água, energia, alimentação, plano de saúde e financiamento do seu veículo. Como assim? Financiamento de veículo? Com o decreto-lei n.º 911/69, em seu artigo 3º, dispõe que “desde que comprovada à mora ou inadimplemento, o proprietário, fiduciário ou credor, poderá requerer a busca e apreensão do bem alienado”, ou seja, com uma parcela em atraso o seu veículo pode ser apreendido e caso isso ocorra o consumidor tem o prazo de cinco dias úteis para quitar seu veículo.  Sim! Quitar o financiamento na íntegra, que parece uma piada, mas é o que dispõe a lei.

Ora, absurdo, o consumidor já estava com dificuldade em pagar seu veículo, caso venha apreender seu veículo, deve quitar o financiamento para conseguir ter seu veículo de volta. Não bastando, caso o consumidor não purgar a mora no prazo legal de cinco dias úteis o saldo remanescente do que falta para quitar seu contrato ainda mesmo sem o veículo, o consumidor, será obrigado a pagar, devendo fazer a defesa no processo da ação de busca e apreensão, para não perder o direito de pedir a prestação de contas da venda do veículo que foi apreendido para abater no saldo remanescente e conseguir retirar o nome do consumidor do banco de dados de proteção ao crédito de inadimplentes.

Como especialista na área de Direito Bancário, atendendo milhares de consumidores com dificuldade financeira, o melhor a fazer com a crise que estamos vivendo, não é postergar problema, é resolver de imediato, procurando corte de itens não essencial e sabermos que nos brasileiros, temos a coragem de nos reinventar, colocar em prática novas ideias, caso não seja suficiente, devemos procurar um profissional especialista na área de Direito Bancário, que irá nos dar opções para a solução do problema.

 

Dra. Angélica Anai Angulo, proprietária do Escritório Advocacia Três As, atuante na área de Direito Bancário há 16 anos, especialista em Direito Bancário, Vice-Presidente da Comissão de Direito Bancário da ABA/MT e Membro da Comissão de Gestão e Estratégia e Liderança da ABA/MT.

 

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Dia Nacional do Sistema Braille, 8 de abril

Braille ou braile é um sistema de escrita e leitura tátil, que por meio de um conjunto de seis pontos possíveis em alto relevo, permite formar 63 ou 64 combinações diferentes. Essas combinações podem ser utilizadas para representar as letras do alfabeto, pontuações, números, símbolos matemáticos, químicos e mesmo a notação musical. As pessoas cegas ou com baixa visão, por meio do toque, usam uma ou duas mãos para fazer a leitura.

A data 8 de abril foi escolhida para ser o Dia Nacional do Sistema Braille, pois é o dia do nascimento de José Álvares de Azevedo. Ele foi o primeiro professor cego do Brasil, e o responsável por trazer da França esse conhecimento e disseminá-lo pelo país.O sistema de escrita/leitura leva esse nome em homenagem ao seu criador, o francês Louis Braille 1809-1852.Aos 3 anos, ele perfurou um olho enquanto brincava na oficina do pai. Aos 5 anos, ficou completamente cego, em decorrência de uma infecção que surgiu após o acidente e atingiu o outro olho.

A ferramenta mais básica para produzir conteúdo em braile é a reglete e o punção. Com ela escreve-se furando o papel da direita para a esquerda, enquanto a leitura é feita da esquerda para a direita. Provavelmente por algum tempo, a máquina de teclas Perkins Brailler, foi a segunda ferramenta mais utilizada. Após a popularização dos computadores, vieram as impressoras braile. Existem modelos para uso doméstico e para uso profissional.

Mais recentemente surgiram as linhas ou display braile. São hardwares que permitem a leitura diretamente neles, pois à medida que se navega por algum conteúdo em texto, por meio de pequenos pinos que sobem e descem automaticamente, os símbolos braile são gerados para a leitura tátil. Exceto a reglete e o punção, todas as demais ferramentas sempre apresentaram um problema de acessibilidade para os brasileiros, o valor. São equipamentos que sempre custam milhares ou dezenas de milhares de reais.

Apesar dessas questões que envolvem o meio de produção, desde sua popularização, o sistema braile tem sido fundamental para a alfabetização de crianças ou adultos cegos. Ele abre portas para acesso à educação, ao trabalho e à cultura. Com o uso do braile inúmeras pessoas leem e desenvolvem suas atividades diariamente.

Uma curiosidade: muitas pessoas perguntam se nossos computadores são em braile. A resposta mais curta é não. Mas, uma resposta mais longa que esclareça essa pequena confusão, será abordada em algum dos próximos artigos. Então, continue acompanhando.

Odenilton Júnior Ferreira dos Santos, é pessoa cega e trabalha como técnico legislativo na Câmara Municipal de Cuiabá. Possui mestrado em Ensino de Ciências Naturais pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), especialização em Gestão Pública e em Gestão de Projetos  e graduação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

Pinceladas sobre os 303 anos de Cuiabá

Passarinhos cantavam. O sol escaldante como agora. Agrupados, os senhores aguardavam a assinatura da ata de fundação, encabeçada pelo bandeirante sorocabano Pascoal Moreira Cabral. Pobre eram pobres. A escravidão oficial recebia as bênçãos da Santa Madre. Índios podiam ser capturados – não eram considerados seres humanos.

Impecável num terno sob medida de S&C, tradicional alfaiataria paulistana, Moreira Cabral preparava-se para o momento solene – botar o jamegão no papel. Ao lado dele, seus embarcadiços. Baixa umidade do ar. Calor imenso. Ameaça de chuva. O bandeirante suava muito.

Num desnível do terreno aurífero, Moreira Cabral escorregou. Não foi ao chão, mas o movimento em falso causou constrangimento e apreensão aos que presenciaram a cena. Do bolso de seu paletó esverdeado e recheado de dinheiro caiu um maço de notas. Para evitar comentários maliciosos, o bandeirante disse que a dinheirama era de seu mano querido.

Ooooooooh! Concordaram os presentes porque sabiam a força que o homem tinha.

Um jovem que acompanhava Moreira Cabral lamentou o tropeção que causou o grito sufocado dos participantes. Condoído disse a um colega ao lado que o bandeirante sofreu vertigem com o calorão: – ‘Crima nubrado’. O outro sugeriu: – dá uma toalha azul pra ele.

Blém-blém-blém-blém batia o sino da Igreja Nossa Senhora do Rosário, símbolo do catolicismo, chamando pra missa das 6 horas. Dono das lavras em seu entorno, Miguel Sutil estava ocupado e não iria. Fechado em seu quarto com Cassombombo, seu escravo sexual, tinha mais o que fazer. Cassombombo era o negro que o atendia sexualmente, segundo o escritor Ricardo Guilherme Dickie.

Cassombombo não foi o único negro humilhado ao longo de três séculos nesse município onde nasceu o herói Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. São Benedito, o reverenciado santo dos cuiabanos católicos enfrentou marginalização pela branca Santa Madre. Isso mesmo! Na quase tricentenária Igreja do Rosário, no topo do morrote à margem do córrego da Prainha não havia espaço para a negritude santificada de Benedito nem de seus devotos. A solução foi a construção de uma capela ao lado do templo dos senhores. Mais tarde a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito democratizou-se. Em seus bancos, nas manhãs das quintas-feiras, a presença do Comendador João Arcanjo Ribeiro era figura obrigatória, até que uma certa Operação Arca de Noé o afastou daquele convívio cristão.

O ouro jorrava e a população amava a Coroa Portuguesa. Não havia PCdoB nem Psol. Todos rezavam pela mesma cartilha ideológica.

Isso acontecia quando a América Latina era feudo dos reis de Espanha e Portugal. Pouco tempo depois, em 9 de maio de 1748, a Coroa Portuguesa criou a Capitania de Mato Grosso numa área sob domínio de São Paulo. O nepotismo luso mostrou sua força e o rei Dom João VI nomeou seu primo e capitão-general Dom Antônio Rolim de Moura Tavares para governar o território recém-emancipado. Assim surgiu o primeiro grilo que se tem notícia no continente. Mais tarde essa prática seria bem aperfeiçoada e chegamos ao inusitado da terra em segundo e terceiro andares.

Mato Grosso era imenso vazio demográfico. Cuiabá tinha 32 anos e a aventura em busca do ouro empurrava cada vez mais a fronteira Oeste pra dentro dos domínios espanhóis quando Rolim de Moura fundou Vila Bela da Santíssima Trindade, em 19 de março de 1752, para ser capital do naco de terra que o primão lhe dera pra governar.

Até parece com o agora. Um primo do rei governando num palácio construído por mão de obra escrava numa terra conquistada na esperteza agrária pela fragilidade do Tratado de Madri, que por falta de GPS tinha a utilidade de cobertor nas ensolaradas tardes de Mato Grosso.

Em 1822 o Brasil conquistou a Independência enquanto Cuiabá garimpava em paz. Em 28 de agosto de 1835, quando Dom Pedro II era imperador, o Império transferiu a sede do governo para Cuiabá. Os poderosos do governo juntamente com os togados disseram adeus e pegaram a estrada com o círculo do poder. Isso aconteceu logo após a Rusga, movimento que botou em campos opostos quem mamava e aqueles que queriam mamar. Depois da Rusga a cidade de Moreira Cabral nunca mais foi a mesma – briga, briga, briga pela mamação.

Vila Bela ficou sozinha com seus negros, muitos sofrendo com o maculo e cuidando de uma certa bandeira verde e amarelo nas barrancas do Guaporé junto à Serra de Ricardo Franco, onde bem mais tarde o poderoso Eliseu Padilha encontrou o verdadeiro Caminho das Índias.

Isso acontecia quando a América Latina era feudo dos reis de Espanha e Portugal. Pouco tempo depois, em 9 de maio de 1748, a Coroa Portuguesa criou a Capitania de Mato Grosso numa área sob domínio de São Paulo. O nepotismo luso mostrou sua força e o rei Dom João VI nomeou seu primo e capitão-general Dom Antônio Rolim de Moura Tavares para governar o território recém-emancipado. Assim surgiu o primeiro grilo que se tem notícia no continente. Mais tarde essa prática seria bem aperfeiçoada e chegamos ao inusitado da terra em segundo e terceiro andares.

Mato Grosso era imenso vazio demográfico. Cuiabá tinha 32 anos e a aventura em busca do ouro empurrava cada vez mais a fronteira Oeste pra dentro dos domínios espanhóis quando Rolim de Moura fundou Vila Bela da Santíssima Trindade, em 19 de março de 1752, para ser capital do naco de terra que o primão lhe dera pra governar.

Até parece com o agora. Um primo do rei governando num palácio construído por mão de obra escrava numa terra conquistada na esperteza agrária pela fragilidade do Tratado de Madri, que por falta de GPS tinha a utilidade de cobertor nas ensolaradas tardes de Mato Grosso.

Em 1822 o Brasil conquistou a Independência enquanto Cuiabá garimpava em paz. Em 28 de agosto de 1835, quando Dom Pedro II era imperador, o Império transferiu a sede do governo para Cuiabá. Os poderosos do governo juntamente com os togados disseram adeus e pegaram a estrada com o círculo do poder. Isso aconteceu logo após a Rusga, movimento que botou em campos opostos quem mamava e aqueles que queriam mamar. Depois da Rusga a cidade de Moreira Cabral nunca mais foi a mesma – briga, briga, briga pela mamação.

Vila Bela ficou sozinha com seus negros, muitos sofrendo com o maculo e cuidando de uma certa bandeira verde e amarelo nas barrancas do Guaporé junto à Serra de Ricardo Franco, onde bem mais tarde o poderoso Eliseu Padilha encontrou o verdadeiro Caminho das Índias.

Em 2014 Cuiabá entrou em transe com a Copa do Mundo. Ganhou a Arena Pantanal, mas foi palco de roubalheira durante a execução de obras para o Mundial. No prédio do antigo Moitará o governo instalou a Secretaria de Copa e colado a ela, numa sala bem ao lado, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) montou um sistema de acompanhamento das construções em tempo real. Aqui termina essa parágrafo e peço ao leitor que imaginariamente o conclua escrevendo qual foi o desfecho daquela aventura que virou pesadelo e ainda causa problemas a Cuiabá e Várzea Grande. Por favor…

Assim nasceu e desenvolveu-se Cuiabá, que ora chora e sofre com a pandemia da covid-19. Essa abençoada e ensolarada cidade completa 303 anos no próximo dia 8, e desde seus primórdios transmite em calor humano aos que batem à sua porta, a alta temperatura que é uma de suas características tendo por testemunha o céu mais azul e bonito que reflete nas águas do rio que lhe empresta o nome.

Fonte: EDUARDO GOMES - @andradeeduardogomes

As angústias por trás de uma rotina

Hábito de fazer algo sempre do mesmo modo, essa é a definição da palavra rotina. Um tema polêmico, amada por uns e tão odiada por outros. Quantas vezes, eu já não escutei das mais diversas pessoas que ter uma rotina é chato, entediante e sem graça. Mas, sempre me pergunto, por quê? Juro que não entendia o motivo das pessoas desgostarem de rotinas, até porque não vivo sem as minhas.

A rotina carrega o mérito de organizar a vida, deixar as coisas mais simples e automatizar tarefas, tornando-nos mais ágeis nos afazeres do dia a dia. E como uma boa escorpiana, metódica em organização, bem parecida com os virginianos nesse quesito, meu toque não me deixa enganar: sou apaixonada por uma rotina. E sim, são várias, minha vida é baseada nas minhas rotinas diárias e todas marcadas na agenda.

Mas, confesso que de alguns tempos para cá venho me questionando sobre as consequências da rotina na minha vida. Está tudo tão automatizado que o dia que saio desse script é a treva. Para o mal ou para o bem, ela é cômoda e segura. E a partir daqui, leia esse artigo pensando na palavra segurança, como um mantra. 

Esses dias pesquisando sobre o assunto, li uma frase que dizia mais ou menos assim “a minha rotina sempre foi assim e assim será”. Quando parei para refletir sobre isso, me assustei. E assim será? É sério? Até quando vou viver dessa mesma maneira?  Até quando ficarei mal por sair da minha rotina? E minha vida mesmo sabe, curtir, sair, ver gente, ver meus amigos? Estou tão comprometida comigo mesma que minha rotina está se baseando nas minhas tarefas diárias. Não sinto que estou errada, não é sobre isso que vim falar, mas sim, sobre as consequências.

A gente pode se tornar passivo, e o acomodamento pode rapidamente levar ao comodismo. E você passa a viver no piloto automático. A rotina, também pode gerar um novo sinônimo: zona de conforto. Além disso, infelizmente, para as pessoas apegadas à rotina, como eu, têm pavor de quebrar a barreira e isso pode se tornar um verdadeiro problema.  

Agora, veja que assimilação interessante: já parou para pensar que a vida está passando cada dia mais rápido? Pois é, e isso pode sim estar totalmente relacionado na nossa rotina. Quando crescemos e nos acomodamos, os desafios se tornam escassos, o cérebro cai na mesmice e a vida passa correndo. Uma realidade bem diferente de quando éramos criança, onde tudo parecia bem mais lento, isso porque nessa época da vida tudo é novo e o nosso cérebro enfrenta um milhão de desafios diários: são coisas para memorizar, novos conceitos para aprender, sensações desconhecidas para se familiarizar, enfim experiências diferentes todos os dias.   

Li outro dia que a criatividade é, por definição, pensar diferente. Então, será que a rotina acaba matando a criatividade? Afinal, para sermos pessoas mais criativas, precisamos viver coisas diferentes, ter contato com o novo, passar por novas experiências. Mas como fazer isso se os meus dias estão se tornando uma sucessão de dias iguais? 

E os sonhos, ah... esses tenho cada vez mais a sensação de que estão ficando para trás. A vida é feita de escolhas, então, sempre é tempo de rever tudo e escolher continuar no seu mundinho ou se abrir para novas possibilidades. Sei que é difícil sair da sua segurança, mas será que não é melhor viver o agora do que se arrepender depois. Lembre-se: a vida é um sopro. Ninguém sabe como serão os próximos segundos, dias ou meses. Então faça valer a pena. 

Não estou aqui criticando a existência de uma rotina, pelo contrário, estou-me auto avaliando, até porque tenho a minha rotina muito bem estabelecida. Mas, quando me vi entrando nessa zona de conforto aos 26 anos de idade, decidi escrever para refletir, e agora cá estou, compartilhando as loucuras da cabeça com vocês. 

Então repito: faça valer a pena se você escolher permanecer na rotina ou optar por ter novas experiências todos os dias. O importante é fazer cada dia ser único e especial. Não deixe que a rotina estrague o seu dia, lembre-se sempre dos seus sonhos e siga em frente. 

Para finalizar, a notícia boa é que dá para ter uma rotina, ser consciente e flexível, basta você escolher e priorizar isso.

 

Escrito por: Fernanda Trindade
Jornalista em Cuiabá
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90 anos do direito feminino ao voto, mas será que nos apoderamos de fato dele?

90 anos do direito feminino ao voto, mas será que nos apoderamos de fato dele?

A conquista do direito ao voto feminino no Brasil completa 90 anos, pois somente em 24 de fevereiro de 1932, o Código Eleitoral passou a assegurar o voto feminino e, posteriormente, em 1934, o voto feminino passou a ser previsto na Constituição Federal. Mas a reflexão que faço nesta data é: será que nos apoderamos realmente desse direito?

Somos a maioria da população brasileira e, na contramão disso, somos ainda a minoria ocupando os espaços de poder. Proporcionalmente o nosso País é um dos que menos têm mulheres nos parlamentos, perdendo inclusive para os países islâmicos que culturalmente são mais fechados à participação feminina na tomada de decisões.

No Congresso Nacional Brasileiro somos cerca de 15%, nos parlamentos estaduais e municipais a média é daí pra baixo. A pergunta que fica é porquê? Por quê, 90 anos depois de conquistarmos o direito de votar, ainda somos a minoria nos parlamentos e à frente dos Poderes Executivo municipais e federais? Essa é a maior reflexão que devemos fazer nesta data.

Na minha visão, é necessário o poder político das mulheres nos mais diversos segmentos e esferas de Poder, para que elas contribuam para o enfrentamento de todas as formas de violência, para a promoção da igualdade salarial entre homens e mulheres, para a garantia dos direitos sexuais e direitos reprodutivos, para o combate a todas as formas de racismo, homofobia e intolerância religiosa, para a prevenção, denúncia e punição de crimes de tráfico de mulheres e escravidão sexual, enfim, para a promoção da imagem da mulher real pelos mais diferentes meios.

Em 2018 foi publicado no 'Journal of Economic Behavior & Organization', um estudo que revela que países geridos por Mulheres tem índice de corrupção menor, além disso, que as representações das mulheres na política tendem a favorecer políticas públicas que melhoram situações, como a provisão de bens públicos, saúde, educação e bem-estar infantil. Mas isso tudo só muda por aqui se nos apoderamos de vez do nosso direito de escolha e nos conscientizarmos da importância de usá-lo para eleger mais mulheres e, ao menos, equilibrar a balança de Gênero na política.

 

*Janaina Riva é bacharel em Direito e deputada estadual de Mato Grosso no segundo mandato

 

Fonte: Sapicuá

ARTIGO- “Elas são referência”

ARTIGO- “Elas são referência”

Diversos acontecimentos e eventos foram preponderantes para que a ONU (Organização das Nações Unidas), em 1995, oficializasse o dia 08 de março como o Dia Internacional da Mulher. O empoderamento feminino é uma luta constante que atravessa os séculos e continentes, com avanços e com retrocessos.  
 
Apesar de recuos, em todos os tempos e sociedades, há exemplos de mulheres que desafiaram o machismo, a misoginia, o preconceito racial e o patriarcado. 
 
Para exemplificar temos: Cleópatra (69-30 a.C.) Virginia Woolf (1882-1941) Frida Kahlo (1907 - 1954) Marie Curie (1867-1934) Anne Frank (1929 - 1945) Madre Teresa de Calcutá (1910 - 1997) Simone de Beauvoir (1908 - 1986) Rosa Parks (1913 - 2005). 
 
Não importa como ou quando, essas mulheres, cada uma a seu modo, significaram, tanto no passado como no presente, a luta pela igualdade de gênero no mundo.
 
De rainha do Egito (Cleópatra) a uma costureira negra (Rosa Parks), essas mulheres deveriam ter suas biografias estudadas em todas as escolas do mundo, e não só como referências locais, como a lavadeira Maria Taquara ou a torcedora Nhá Barbina, a vereadora cuiabana Estevina Couto Abalem ou a lendária escrava, Mãe Bonifácia.  
 
Os desafios são muitos e diversificados, porém quaisquer que sejam eles, a melhor forma de superá-los é por meio da educação de qualidade e da geração de oportunidades. Somente dessa forma será possível garantir a independência e liberdade pelo qual as mulheres lutam.
 
Tenho o privilégio de presidir o Parlamento Municipal e como negro, de origem humilde, percebo, ainda que de forma incompleta, as dificuldades em empoderar as mulheres. São barreiras culturais, raciais, econômicas e comportamentais. Superá-las é um exercício constante de resiliência e de reflexão, marcado por idas e vindas, todavia, continuamos na luta. 
 
Esta Casa de Leis tem 60% de seus colaboradores, mulheres, e por isso algumas medidas foram implementadas nesta gestão para mitigar a desigualdade e melhorar as condições de trabalho das mulheres servidoras e outras.
 
Dentre essas medidas, apoiei a aprovação da lei que visa à distribuição de absorvente para estudantes, mulheres em situação de rua e presas em Cuiabá (Projeto da Vereadora Edna). A Câmara participou do Projeto Cuiabá Por Elas, que arrecadou aproximadamente 30 mil absorventes para a ação. Apoiei também a ampliação dos trabalhos da Sala da Mulher, incentivei a doação de cestas para as mulheres cadastradas na patrulha Maria da Penha, onde 28 toneladas de alimentos foram distribuídos.
 
Além disso, seremos a primeira Câmara de Mato Grosso com sala de aleitamento materno e fraldários em todos os banheiros, para servidores e público externo. É pouco, mas não se faz tudo a um só tempo. Estamos mudando, se não na velocidade que gostaríamos, mas de maneira constante. 
 
Portanto, em nome das parlamentares dessa legislatura, Edna Sampaio (PT), Michelly Alencar (DEM), Maria Avalone (PSDB), Maysa Leão (Cidadania) e de todas as mulheres cuiabanas e mato-grossenses que deixo uma homenagem e, simultaneamente, uma reflexão para o universo feminino, com a música “Maria Maria”, de Milton Nascimento: “Mas é preciso ter manha/ É preciso ter graça/ É preciso ter sonho sempre/ Quem traz na pele essa marca/ Possui a estranha mania/ De ter fé na vida”. 
 
Por Juca do Guaraná Filho – vereador e presidente da Câmara Municipal de Cuiabá

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